Sugestão de Leitura

Professora estimula trocas de experiências entre crianças e idosos

por Rita de Cássia Gottardi van Opstal Nascimento  6 de novembro de 2019

Em Santos (SP), projeto trabalha o reconhecimento dos tempos de infância e de envelhecimento para desenvolver respeito, paciência e tolerância

Nos meus 34 anos de magistério, destes, 18 na educação infantil, pude perceber a alegria das crianças quando recebiam a visita de outras pessoas, diferentes do convívio diário, na escola, principalmente quando essas pessoas eram idosas. Trabalhei em uma instituição asilar para idosos e nela constatei a importância da visita de crianças, tão raro de acontecer. Então, há alguns anos acalentava esse sonho: proporcionar um encontro entre minhas crianças e os idosos.

Sempre acreditei que esses encontros teriam que ser uma via de mão dupla, em que o diálogo intergeracional pudesse proporcionar um caminho de afeto e conhecimento mútuo.

Com a proposta de estabelecer um diálogo mais frequente entre as gerações, surgiu o projeto “A criança e o Idoso: um diálogo para o futuro”, que foi desenvolvido na UME Doutor Porchat de Assis, em Santos (SP).

A ideia era levar os nossos pequenos até um asilo para que eles pudessem participar de atividades conjuntas com os idosos.

Também identifiquei que era muito importante apresentar a essas crianças os idosos ativos, que têm autonomia e não necessitam de cuidados institucionais.

O desejo era que esses encontros, e também as atividades desenvolvidas em sala de aula, criassem vínculos e fortalecessem os laços afetivos, objetivando o desenvolvimento integral da criança, onde os diferentes tempos de infância e envelhecimento são reconhecidos e percebidos em suas particularidades e diferenças, pois o idoso carrega valores que podem complementar a educação da criança, principalmente a respeito de paciência e tolerância.

Além de proporcionar o diálogo entre as crianças, os idosos, a escola e as famílias, o projeto atendeu aos direitos de aprendizagem, garantindo o protagonismo das crianças junto aos vovôs, estimulando o desenvolvimento de atitudes de respeito e cuidado por meio da troca de histórias, brincadeiras antigas e novas, as músicas cantadas pelos vovôs, entre outras atividades.

Estimulei que as crianças pudessem compreender o mundo e a elas mesmas.
Foi assim a cada visita, roda de conversas, contação de histórias ou manipulação dos fantoches. Com essas atividades, recebi relatos dos vovôs, das famílias, das crianças e de todos que, de alguma forma, foram afetados por essa descoberta do outro, do diferente.

Superei minhas expectativas, pois confesso, que não imaginava que crianças tão pequenas pudessem refletir sobre esse aprendizado da forma que fizeram. As histórias de vida não foram trazidas somente pelos idosos que nos visitaram, nem tampouco os visitados, mas acima de tudo pela própria criança, que trazia as suas experiências.

Na imitação do outro, posturas de como é ser idoso. Nas brincadeiras com música, a troca entre as gerações trouxe o antigo como novo para eles, perpetuando nossa cultura. Em cada carinho, troca de sorrisos, conversas, foi possível ver a perpetuação da nossa ancestralidade.

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