Sugestão de Leitura

Quais as ideias que estão transformando a escola?

Na Chapada do Araripe, na divisa de Pernambuco, Piauí e Ceará, alunos resgatam a memória do local e cuidam do Memorial do Homem do Kariri, que chega a receber 600 mil visitantes por ano

MEMORIAL: Alunos cuidam voluntariamente do acervo, que chega a receber 60 mil pessoas todos os anos. Crédito: Luckas Nunes/Divulgação. 

HÁ TUDO DE NOVO SOB O SOL DO SERTÃO - A cidade erguida sobre um dos mais importantes sítios arqueológicos do país envolveu escolas e comunidade para preservar seu patrimônio

A Chapada do Araripe é uma formação do relevo que se estende pelos estados de Pernambuco, Piauí e Ceará. A região é considerada um sítio arqueológico de grande importância. Seja em escavações, seja por puro acaso, cerâmicas e outros artefatos foram encontrados por lá, como resquícios da vida que os homens kariri, que habitaram a chapada até o século 19, deixaram no local. 

É sobre esse repositório do passado que nasceu, em Nova Olinda, na parte cearense, uma iniciativa que mudou a maneira como alunos de escolas públicas aprendem sobre o lugar onde vivem.

Desde 1992, a Fundação Casa Grande, criada por Alemberg Quindins e Rosiane Limaverde, mantém o Memorial do Homem Kariri, que reúne um acervo de objetos, histórias, músicas e outros registros coletados em mais de dez anos de pesquisa. E quem faz a gestão do local? “Contamos hoje com cerca de 40 crianças e jovens que, voluntariamente, atendem a um público de 60 mil pessoas por ano”, conta com orgulho Fabiana Barbosa, diretora-presidente da fundação.

Além do memorial, que funciona em um antigo casarão da cidade, a fundação oferece um espaço dedicado a atividades de leitura, pesquisa, lazer e criação de produtos de mídia abertos aos estudantes. Existe até uma rádio que transmite conteúdo produzido pelos alunos para toda a região. “A partir do momento em que eles começam a atuar, passam a existir na cidade, a se relacionarem de um jeito mais profundo com o lugar onde vivem e com a história que ali se desenrolou”, diz Fabiana.

O exemplo do Memorial do Homem Kariri mostra que inovar em Educação não tem a ver necessariamente com tecnologia de última geração. “O que precisa mudar é o olhar que se tem sobre os currículos, a rotina, a finalidade da escola. Quem disse que aprender é algo que cabe em aulas de 50 minutos dentro da sala? Para que serve o que se ensina?”, provoca o educador, antropólogo e folclorista Tião Rocha, que há mais de 20 anos criou o Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento (CPDC), em Minas Gerais.

Olhar para os problemas locais, rever as formas de aprender e compartilhar o conhecimento entre todos é o primeiro passo para inovar de verdade -– com ou sem tecnologia.

Como ser inovador de verdade - três pontos essenciais para repensar as práticas


https: //nova escola. org. br /conteudo/12504/quais-as-ideias-que-estao-transformando-a-escola


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