Sugestão de Leitura

Interação e aprendizagem

Ao se enraizarem na prática pedagógica, valores como cooperação, solidariedade, democracia, equidade, participação, por exemplo, poderão ser experimentados pelos alunos em seu processo de aprendizagem, durante a interação promovida pela vida em grupo.

A interação é determinante para a aprendizagem, especialmente quando se atribui a ela uma natureza cooperativa que, por sua vez, pressupõe confiança e respeito à alteridade (capacidade de se colocar no lugar do outro, de dialogar com a diferença com consideração e respeito). Pensando nisso, o Cooperjovem valoriza sobremaneira a atuação dos professores, pois são os parceiros mais experientes em sala de aula para investigar conhecimentos prévios, observar, registrar, contextualizar, problematizar, estimular a busca coletiva de soluções para favorecer a aprendizagem a partir dos pressupostos da cooperação.

Por tudo isso, chama-se a atenção para a etapa de aplicação do PEC na sala de aula, para os aspectos que podem construir um diferencial importante na caminhada para agir e superar as diferentes situações-problema surgidas na pesquisa de contexto, como é o caso da participação e da ação coletiva.

A escola é um espaço de convivência com muitas responsabilidades, pois as experiências de convívio que proporciona são mais amplas do que as do ambiente familiar e representam um estágio antecipatório da convivência social mais complexa.

As aprendizagens escolares não podem ser vistas apenas como acumulação de saberes não concretizáveis em situações reais, elas precisam se transformar em competências, ou seja, extravasarem, a partir da escola, para a vida cotidiana, de modo que possibilitem aos aprendizes identificar, avaliar e valorizar possibilidades, direitos e limites; participar de projetos e criar estratégias de superação dos problemas, individualmente ou em grupo; pesquisar, analisar situações; cooperar, participar de uma atividade coletiva e partilhar liderança; superar conflitos; conviver com regras, elaborá-las e servir-se delas.

Algumas atividades têm maior potencial para desenvolver competências. No caso do PEC, para fazer circular os conhecimentos prévios, estimular a participação e a exposição de ideias e gerar um clima propício à aprendizagem cooperativa, destacam-se os debates e a assistência a vídeos.

Priorizar o debate, como ponto de partida ou de chegada, valoriza a manifestação de ideias e saberes, a convivência com diferentes pontos de vista, a construção da argumentação e a resolução cooperativa de questões previamente planejadas. Proporcionar espaços de fala e escuta alimenta a interação, base da aprendizagem cooperativa, e preparam condições para a construção coletiva de conhecimentos e práticas de intervenção social, ambas decorrentes da comunicação democrática. Além disso, do ponto de vista pedagógico, debates são oportunidades de mediação para construir a cooperação e o respeito à diversidade, recursos necessários para executar, participativamente, um projeto apoiado na resolução de problemas detectados por uma comunidade.

A utilização de vídeos com fins pedagógicos tem múltiplas vantagens, entre elas as que motivam debates e ampliam as relações entre teoria e prática. Ao apresentar outros modos de fazer, em outros lugares, os alunos são incentivados a criar suas próprias alternativas. Como partem do concreto, do observável, de recortes visuais que contextualizam temas e situações, eles ilustram experiências com depoimentos e imagens que permitem abordagens múltiplas. O trabalho com vídeo é uma forma de comunicação que recorre às novas tecnologias, é lúdica e integra linguagens ao tratar da realidade.

Adaptado de: CRESPO NUNES, Maria Denise e FILIPOUSKI, Ana Mariza. Educação para a Cooperação. Brasília: Sescoop Nacional, 2013. Guia do Instrutor.

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