Sugestão de Leitura

Coordenador pedagógico deve auxiliar professor a melhorar aprendizagem dos alunos

Atuação desse profissional é o meio mais eficaz de direcionar, organizar e dar unidade ao trabalho de formação continuada do corpo docente, partindo sempre das questões concretas de sala de aula

A ação do coordenador pedagógico para reunir os professores faz com que eles criem mais referências entre seus colegas e não se vejam isolados (Crédito: © Gustavo Morita)

Prática para pensar a teoria

Nas situações em que a formação continuada se dá na escola, o modelo tradicional se inverte. Em vez de assistir a uma palestra sobre um teórico ou um tema didático e, em algum momento, relacionar o conteúdo com o que se vive em sala de aula, é o trabalho vivido que se sobrepõe.

Débora Rana, formadora de professores e coordenadores pedagógicos das redes pública e privada, exemplifica: “O coordenador pedagógico foca a prática. Ele orienta o professor a registrar o quê e como ensina aos alunos e o registro vira objeto de discussões e análises. A partir daí,  ele se apropria da teoria para encontrar caminhos para as situações diagnosticadas”. A especialista lembra que a formação em serviço não substitui a inicial. Ela se faz em cima de um trabalho que já está acontecendo. “Não se trata só de sentar e expor o que foi feito. É pegar o planejamento, contrapor com os objetivos previamente traçados, analisar o que foi realizado, pensar como as crianças fizeram o proposto, quais foram as intervenções. É todo um cenário para entender o que foi feito e buscar meios para avançar”, destaca.

A proposta destoa do modelo baseado em cursos curtos ou oficinas pontuais. Débora conta que na rede privada é comum a escola pagar para um ou outro professor participar de um curso sobre um tema específico e depois pedir que ele, ao regressar à escola, divida a experiência com seus colegas. A intenção, nesse caso, é boa, mas ainda é diferente do que se propõe com a formação centrada na escola: uma discussão com base na realidade do ensino que usa a ciência e o conhecimento acadêmico como suporte para um aspecto preciso do trabalho docente. Isso não significa que estudar temas relevantes à área não tenham seu valor. É sempre válido que o professor, cuja ação docente sempre irá de alguma forma se beneficiar da ampliação de seu repertório cultural, estude temas relativos ao seu campo de atuação ou da cultura em geral. Mas, como proposta de formação continuada, o caminho mais eficiente é partir do que acontece em sala para repensar a teoria, realimentando-a, e depois fazer o caminho inverso novamente.

O coordenador pedagógico (vale lembrar, com tempo dedicado à formação) é peça-chave nesse processo. É ele quem tem a possibilidade estratégica de mobilizar os docentes, organizar uma rotina de observação de aulas e encontro com professores, agendar reuniões com o grupo para contribuição coletiva e pesquisar os referenciais e estratégias que podem ajudar todos a avançarem na maneira como ensinam.

Organizar desse jeito a formação em serviço é uma tentativa de atacar alguns problemas recorrentes do campo educacional, como o isolamento do professor. “Há muitas pesquisas mostrando que escolas com melhores resultados apostam no fortalecimento de suas equipes. É necessário que existam espaços de colaboração nos quais todos possam planejar, preparar material e construir a identidade da escola”, aponta Cybele, do Icep. Isso vai na contramão da tradição escolar, na qual os professores dividem pouco o que fazem, raramente tiram dúvidas ou usam outros colegas como referência. Para o bem ou para o mal, o que o professor faz com os alunos fica restrito à sala de aula.

Outra barreira a ser rompida é a resistência dos próprios docentes, especialmente aqueles dos anos finais do ensino fundamental ou do ensino médio. A Pesquisa sobre a função de coordenação pedagógica nas escolas públicas de ensino médio trouxe à tona o não reconhecimento do papel formativo dos coordenadores pedagógicos por parte dos professores especialistas. Como os coordenadores raramente são da mesma área do professor, não se crê que eles possam contribuir para opinar sobre o formato das avaliações ou que tenham conhecimento técnico para julgar os planos de aula. O mesmo estudo defende que o coordenador, de fato, não traz o saber de cada disciplina. Nem seria possível. Mas ele carrega os instrumentos didáticos (técnicas de ensino e métodos para organizar a turma, entre outros saberes) que a formação inicial dos professores especialistas quase sempre não fornece e que são indispensáveis.

Adaptado de www.revistaeducacao.com.br/coordenador-pedagogico-deve-auxiliar-professor-melhorar-aprendizagem-alunos/

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