Leitura para Professores

Cooperação na prática: pra começo de conversa

O Cooperjovem é um programa complementar à escola (em Santa Catarina abrange todo o ensino fundamental) que se fundamenta na prática da cooperação como exercício da corresponsabilidade para o aprimoramento das relações humanas. Por isso, a iniciativa abrange não somente a difusão de ideias, valores e princípios do cooperativismo, mas prioritariamente a vivência permanente da cooperação em todas as instâncias da vida humana desde a infância.

A consideração da diversidade e a valorização das identidades locais são pressupostos do Programa, tanto por respeitar os valores, as crenças e as experiências vividas pela comunidade quanto por atribuir importância ao conhecimento da realidade de cada lugar e reconhecer a escola como agente transformador das diferentes realidades. Essas questões embasam a metodologia e orientam as formações oferecidas aos professores e gestores continuadamente.

 A educação cooperativa é uma prática democrática que auxilia na compreensão da complexidade da vida em comunidade e possibilita aprendizagens significativas para os desenvolvimentos pessoal/cognitivo e social/ convivência/sociabilidade.

Em vista disso, almeja-se que a educação pela cooperação incida tanto nas relações e práticas escolares como na prática pedagógica propriamente dita/sala de aula, de modo a promover uma mudança de visão sobre a função social da escola pública – inclusão social, oportunidade de acessar direitos e desenvolver competências e habilidades requeridas na atualidade e em futuro próximo– e não como repassadora de conteúdos desconectados da realidade.

A metodologia do Cooperjovem é voltada à participação da comunidade, a qual identifica uma situação-problema que deseja enfrentar coletivamente, tendo a escola como mediadora e articuladora de um projeto educacional cooperativo – PEC.

Os principais critérios e/ou eixos de ação do projeto coletivo, na direção do alcance dos objetivos, são:

  1. o trabalho coletivo (potencial para promover mudanças duradouras nas atitudes dos profissionais da educação e dos alunos, focadas na noção de coletividade e equidade);
  2. a contextualização (embasa o projeto e precisa atender a uma necessidade real da comunidade escolar, extraída da leitura do contexto (pesquisa participativa) e problematizada, de modo a trazer a vida para dentro da escola e mediar formas de identificar o que querem preservar, o que desejam modificar e o que precisam construir);
  3. a continuidade (as ações e atividades articuladas entre si e contínuas promovem o avanço das aprendizagens na caminhada da autonomia moral e intelectual);
  4. a sustentabilidade (permanência de saberes e práticas na ausência de estímulos externos);
  5. os valores cooperativos – ajuda mútua, responsabilidade, democracia, igualdade, equidade e solidariedade (presentes em todos os projetos educacionais cooperativos, independentemente da situação-problema, pois caracterizam a presença do cooperativismo na metodologia do Programa).

Esses eixos de ação são entendidos como os principais pontos de reflexão da cooperativa com a escola parceira, pois dão identidade ao Cooperjovem e têm potencial para promover as mudanças desejadas pelas escolas. Constituem, também, a matriz de conteúdos que compõe as formações básica e continuada de professores e gestores que, espontaneamente, decidiram fazer parte do Programa Cooperjovem. Por fim, todos os eixos se articulam e se entrelaçam, já que cada um, isoladamente, não produz um efeito de rede, necessário para gerar mudanças duradouras.

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