Sugestão de Leitura

Qual é a melhor forma de organizar as carteiras na sala de aula?

Veja quatro formatos possíveis de organização e quais interações são favorecidas em cada um deles

POR: Pedro Annunciato, Laís Semis

Ilustrações: Lucas Magalhães

A discussão sobre qual seria a melhor maneira de organizar os alunos na sala de aula acompanha a evolução da Pedagogia nas últimas décadas. O modelo tradicional, de fileiras individuais justapostas em linhas paralelas, tem sido posto em xeque por limitar o ensino à aula expositiva e não favorecer a interação entre alunos e entre estes e os professores.

O ponto central na escolha do formato deve contemplar o desenvolvimento de habilidades de cooperação e troca entre os colegas – o que nem sempre é fácil para quem está habituado à estrutura tradicional de sala de aula. Para compreender melhor as propostas e implicações de cada forma de organização, listamos as vantagens que oferecem no processo de ensino-aprendizagem.

Meia-Lua ou U

Permite que o educador trabalhe aulas expositivas, apresentações em vídeo, filmes, debates e situações em que é necessário o apoio da lousa. Quando o aluno vê a sala como um todo, consegue interagir mais com os colegas, o que é muito favorável para a aprendizagem. Esse formato proporciona contato visual entre todos os presentes e favorece o debate coletivo, além de manter a possibilidade de foco no professor e na lousa. Há momentos em que a lousa é a opção mais eficiente para apoiar uma explicação ou registrar as questões de uma discussão.

Duplas ou trios

Esse formato é recomendado para uma interação mais direta entre os alunos. “É uma composição muito utilizada em atividades de produção de texto e de alfabetização, em que se podem construir duplas produtivas”, explica Claudia. O professor pode, por exemplo, propor uma atividade de escrita juntando um aluno com escrita ortográfica (isto é, que já domina a norma padrão da língua e é capaz de construções mais complexas) e outro que ainda não alcançou o mesmo nível, mas é criativo e pode ajudar na elaboração da história. Também pode unir um aluno alfabético e outro silábico para que compartilhem seus saberes, ou ainda estudantes com saberes diferentes de matemática para resolver um problema que exige vários procedimentos. IMPORTANTE! Os integrantes das duplas não se sentam um ao lado do outro, mas um de frente para o outro. O modelo favorece a interação e discussão entre os dois colegas.

Grupos (quatro ou mais alunos)

Os grupos formados por um número maior de alunos são indicados nos casos em que é preciso levantar hipóteses, investigar diferentes itens e pluralizar o olhar sobre o objeto de aprendizagem. Aumentam-se as informações e olhares sobre o processo – com a possibilidade de desenvolver outras habilidades e competências que não são possíveis no trabalho individual. As dinâmicas de sala em que há trabalho em equipe favorecem esse desenvolvimento.

Habilidades como negociação, argumentação, responsabilidade compartilhada, divisão e delegação de tarefas são desenvolvidas à medida que os estudantes se veem diante dos desafios do trabalho em equipe. Quando a formação de grupos é pontual, ou seja, acontece algumas vezes, é mais difícil desenvolver tais habilidades do que quando se cria uma dinâmica de equipe. “O grupo começa a se autogerir”, explica a especialista. “Mas o professor deve observar essa dinâmica para intervir nos grupos em que um aluno, por exemplo, não está colaborando. Isso ajuda tanto esse indivíduo quanto o grupo a se desenvolver”. 

Para a formadora, a dinâmica de organização da sala vai ganhando agilidade à medida que os estudantes vão se familiarizando com a proposta. Idem para comportamento. “Os problemas de comportamento não são maiores do que quando os alunos estão enfileirados”, defende Célia. De acordo com ela, a agitação é maior na formação ocasional de grupos, do que quando estão acostumados a trabalhar com esse formato.  “A questão de ter o ‘controle’ da turma também não desenvolve a autonomia dos estudantes”.

E onde deve ficar a mesa do professor?

Saindo do modelo de fileiras, a mesa do professor pode ficar em qualquer lugar da sala, já que ele irá circular entre as equipes. Idem no semicírculo: a mesa fica fora da roda. Isso implica em maior mobilidade para o docente, que mantém os alunos em seu raio de visão, o que estimula o contato.

Adaptado de: https://novaescola.org.br/conteudo/11093/qual-e-a-melhor-forma-de-organizar-as-carteiras-na-sala-de-aula

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