Sugestão de Leitura

Práticas associativas

São bastante antigas as iniciativas de cooperação para a busca de ações que concretizem interesses comuns. Por meio de práticas associativas as pessoas se aglutinam, trocam experiências, convivem, criam laços de confiança, constroem vículos que geram oportunidades de crescimento e desenvolvimento. Entretanto, é por meio das práticas culturais que se inscrevem a tradição e a motivação para o associativismo.

O costume de congregar interesses diversificados é típico de sociedades solidárias cuja organização social está aberta para o sentido de comunidade. Entendimento que não ignora as dificuldades enfrentadas pelos jovens em especial, mas também por muitas organizações da sociedade civil, mesmo que numerosos atores sociais desde a década de 1980 venham ampliando a participação e inaugurando novas práticas associativas.

Ao incluir o debate sobre as práticas associativas que se deseja disseminar entre os mais jovens é imprescindível começar pelo valor da cooperação, do entendimento da coletividade como propulsora das mudanças que se quer ver na nossa sociedade, pois embora os discursos apontem para a importância das pessoas se associarem para vencerem obstáculos e ficarem mais fortes, não há como ignorar a grande parcela que não se dispõe a fazer parte de grupos dessa natureza.

Ao referirmos práticas associativas se está pensando em comunidades de interesse para além da resolução de problemas individuais, onde o número faça diferença, exerça pressão e termine por alcançar intentos episódicos. Fala-se de pessoas que se reúnem para debater, implementar iniciativas, tecer acordos, negociar soluções de interesse das comunidades. Práticas que, mediadas pela cooperação, tem potencial para modificar comportamentos e abrir caminhos para a participação social ampliada, para pensar uma outra condição de cidadãos.

Sempre é bom referir que cooperar é assumir compromissos com a coletividade envolvida na busca por conquistas duradouras e continuadas, de modo a enraizar a prática cooperativa e criar, pela manutenção de atitudes e comportamentos, situações que se repetem e passam a se constituir em hábitos, ou seja, fala-se de uma cultura da cooperação.

A cultura da cooperação se estabelece a partir da confiança entre as pessoas e dá sustentação às ações cooperativas. A confiança se firma por meio da ajuda mútua, que por sua vez reforça os laços de solidariedade. O atendimento aos códigos morais e a convivência democrática criam a ética da cooperação.

A cultura da cooperação acontece quando o bem comum e os interesses coletivos estão acima dos benefícios individuais e é prática recorrente em famílias, grupos de amigos, colegas de trabalho, cidadãos de uma sociedade. Não é coisa que se fala de vez em quando, mas atitude que se repete nas diversas situações da vida cotidiana. Isso não significa que não podemos buscar a realização pessoal e profissional, mas que nossos projetos obrigatoriamente devem considerar os direitos das coletividades, respeitar diferenças, promover a solidariedade e levar em conta a sustentabilidade ambiental.

Em síntese, a cultura da cooperação se concretiza quando os modos de entender, sentir, decidir e agir oportunizam o compartilhamento de ideias, iniciativas ou resultados. Muitas vezes, na esfera produtiva, os ideais da cooperação fracassam porque não há confiança entre as pessoas e nas instituições.

Em geral, para conquistar representatividade e reconhecimento, os grupos que se reúnem em torno de uma causa, formalizam sua união com a fundação de associações. Legalizadas, as associações adquirem maiores e melhores condições de realizar seus objetivos do que as pessoas isoladamente teriam chance de alcançar.

Fonte: Nunes, Maria Denise Crespo. Trabalho e juventude. São Paulo: Fundação Iochpe, 2007. Projeto Formare.

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