Leitura para Professores

Participação juvenil – quem são os jovens? Participação juvenil – quem são os jovens? Participação juvenil – quem são os jovens?

Numa sociedade jovem, como a brasileira, a faixa privilegiada com condições dignas para viver é estreita em termos etários e sociais. Porque há mais braços do que empregos, muito cedo se considera um adulto velho; porque há poucas condições de usufruir com dignidade de direitos sociais, especialmente os jovens das classes populares, menos preparados para a vida adulta, frequentemente são condenados à marginalidade e ao subemprego, determinando a permanência das diferenças e atestando a ineficácia das ações voltadas à inserção no mundo do trabalho.

Não há como preparar para o futuro, é urgente que se eduque os jovens para usufruírem seus direitos no presente, de tal forma que eles sejam protagonistas para buscarem a complementaridade da educação escolar e desenvolver competências, para se beneficiarem com as novas tecnologias, para ampliarem seus universos de reflexão e para intervirem crítica e criativamente nas questões e problemas que lhes dizem respeito.

A faixa etária compreendida entre 15 e 20 anos é determinante para o fortalecimento de práticas e princípios de participação democrática e demandam a criação de estratégias que a incentivem e viabilizem, tal qual preconiza o cooperativismo, o qual valoriza práticas e decisões coletivas.

Há duas questões que merecem ser debatidas no âmbito da participação juvenil, entendida como forma de integração com a comunidade e estímulo à transformação pelo comprometimento com interesses coletivos. Uma diz respeito ao pouco entusiasmo que os jovens percebem nos adultos com os quais convivem, ou por desalento com as próprias experiências ou por influência da ideia de que cada um deve cuidar de si, afetados pelo individualismo que o próprio sistema acaba por provocar. Outra é o fato de se esperar que a participação aconteça pelas mesmas vias, ou seja, que os jovens se engajem em movimentos tradicionalmente considerados participativos como os movimentos de classe ou pela adesão a partidos políticos, entre outros.

Sobre isso, é importante referir que os jovens parecem ter encontrado novas formas de participação para emprestar a sua solidariedade, mesmo que se mantenham as causas, exemplo disso é o modo como a música tem sido o canal de expressão privilegiado por eles. Preferência que empenha a energia juvenil na busca de intervenções para responder a problemas reais como a falta de uma educação que contemple seus interesses imediatos, de oportunidade para viver o tempo livre com qualidade, de preparação para o exercício profissional qualificado.

Especialmente em um país como o Brasil, em que há tanta desigualdade de acesso a direitos básicos, é interessante a existência de programas que invistam na construção de espaços participativos, considerando que são eles que ensinam e geram práticas sociais participativas. Desse modo, haveria a possibilidade de os jovens alunos terem maior envolvimento com a vida da coletividade de forma positiva.

É nesse sentido que o Programa Cooperjovem pretende colaborar com as escolas na tarefa de criar espaços participativos, oferecendo estudos sobre uma forma de solidariedade que se efetiva por meio da reunião de pessoas cujo fim último é o bem comum, mas que prioritariamente tece caminhos com a cooperação de todos na busca de objetivos que são coletivos.

 O cooperativismo é uma via participativa com potencial para promover a cidadania, no qual é valorizado o acesso às informações, liberdade para dar opiniões, participar de decisões que envolvam o coletivo, reivindicar direitos, influenciar políticas públicas.

 Ao abordar o mundo cooperativo, o Programa considera as diferentes juventudes como atores sociais que têm direito de influenciar em decisões que afetem a sua vida e, coerente com seus princípios, valoriza a participação juvenil na promoção da sua cidadania, para a qual oferece o caminho do cooperativismo, filosofia que se pauta em valores indispensáveis à vida cidadã. De outro lado, convida os alunos e seus professores a conhecerem o mundo das cooperativas, lugar de aplicação do sistema cooperativista e onde a cooperação é uma prática que habita as relações sociais.

 

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