Leitura para Gestores e Equipe Pedagógica

A educação pela cooperação e a aprendizagem

A educação escolar não se reduz à sala de aula, ao contrário, é resultante de um conjunto de ações articuladas que perseguem um mesmo projeto e, por isso, constituem um esforço coletivo. Essa convicção coloca a equipe gestora como mediadora de práticas que se enraízem em todos os setores e criem o cenário propício à aprendizagem de todos os estudantes.

 

Educar pela cooperação depende do modo como, em qualquer área curricular, se planeja e se concebem os desafios educativos, se promovem as práticas cooperativas entre pares no espaço da sala de aula e fora dela, ou como se estimula a reflexão solidária sobre os diferentes contextos vividos.

Não se pode limitar projetos de educação pela e para a cooperação ao desenvolvimento de práticas colaborativas entre alunos em momentos específicos ou em disciplinas privilegiadas, pois as características da educação cooperativa (ver texto publicado na categoria professores) podem e devem estar presentes em todas as disciplinas, já que são uma oportunidade de formação pessoal e social dos alunos que os realizam e que os vivenciam.

A existência de problemas concretos a resolver favorece a aprendizagem, tanto no plano da ação como no do discurso, com a participação efetiva do conjunto de professores da escola no mesmo projeto, com as mesmas metas planejadas para os alunos. O compartilhamento de objetivos envolve a todos e demanda tempo até que as ações e atividades planejadas se concretizem, por meio do diálogo com o conhecimento e práticas sociais e culturais, pouco a pouco e a longo prazo, a comunidade caminhará na direção da superação dos problemas apontados e que interferem na qualidade de vida.

Conforme Beatriz Cardoso, uma nova escola só pode nascer desta que está aí. É no fazer cotidiano da escola que se forma o cidadão. Não são coisas separadas. Todo conteúdo tem que ser trabalhado em várias dimensões. Os instrumentos essenciais de aprendizagem (leitura, escrita, expressão oral, cálculo e resolução de problemas) e os conteúdos disciplinares são tão importantes quanto a aprendizagem de atitudes e valores.

Em síntese, a educação do cidadão do futuro depende essencialmente da ajuda que se puder dar à escola para que ela dê conta de seu recado: garantir a aprendizagem. Esta é a missão que dá sentido à existência da instituição escola.

O que se experimenta na vida escolar será sempre referência importante para o futuro exercício autônomo da cidadania. E isso é uma construção de cada escola e não tarefa de um único professor bem-intencionado. Aprende-se cidadania na maneira como o porteiro recebe cada aluno, na maneira como a merendeira prepara a comida, no cuidado estético com as paredes escolares, na relação dos professores entre si e com os alunos, na forma como os pais são tratados e assim por diante, nos pequenos gestos presentes no dia-a-dia. É esse conjunto de práticas sociais que deve estar presente no projeto educacional cooperativo, primeiro como ideal (objetivos), depois como estratégia pedagógica previamente planejada (ações e atividades) e por fim como prática que demonstra a construção de uma cultura da cooperação.

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