Sugestão de Atividades

O protagonismo juvenil na produção de radioescola – um relato de experiência

A partir de alguns temas escolhidos pelos grupos de professores que participaram do GEP 2018 reunimos ideias e experiências que podem inspirar o trabalho coletivo e aproximar as escolas parceiras das cooperativas. A presente experiência relata o exercício do protagonismo juvenil na produção de uma rádio no ambiente escolar, especificamente numa escola pública de uma cidade do interior de Goiás.

A ideia do projeto Radioescola surgiu após os alunos sugerirem “algo” novo no ambiente escolar, para que pudessem se expressar, melhorar a oratória e ter voz ativa. A direção da escola apoiou a ideia e viabilizou o projeto, adquirindo os equipamentos necessários.

A primeira turma de alunos envolvida diretamente no projeto foi “recrutada” tendo como alvo alunos que tinham baixa estima, que não se comunicavam e apresentavam uma vida social distante dos outros colegas, e principalmente por se destacarem como alunos indisciplinados. Também foram recrutados dois alunos portadores de necessidades especiais.

O primeiro passo foi a escolha de um nome para a Rádio. Vários nomes foram sugeridos por alunos, professores e pelo grupo gestor. Após muita discussão entre os envolvidos na fase inicial, por votação foi escolhido o nome Alternativa – A rádio escola nota 10.

O passo seguinte foi a instalação dos equipamentos. Aqui nota-se o envolvimento dos pais dos alunos no ambiente escolar. Como praticamente não existiam alunos e professores com habilidades para a instalação de caixas acústicas e equipamentos de som, alguns pais se dispuseram instalar. Instalados os equipamentos, houve a necessidade de se estudar o rádio no ambiente escolar.

O professor-coordenador do projeto, após realizar uma oficina de rádio, apresentou alguns textos sobre o assunto no contraturno, para serem estudados por alunos e professores. Estudou-se a produção de rádio, os diversos tipos de programas (de cunho cultural, jornalístico, entretenimento), a produção de vinhetas, a operação do sistema de programação e a veiculação dos mesmos.

A primeira atividade interdisciplinar proposta antes da inauguração da rádio foi a estatística de gênero musical, que foi desenvolvida nos três turnos e contou com a presença de todos os integrantes da rádio. Notou-se uma diversidade de gostos, cada período apresentou um gênero musical diferente, comprovando a existência de uma diversidade cultural no meio escolar.

De maneira coletiva os membros participantes definiram os horários de cada equipe (os alunos foram distribuídos por meio de sorteio em grupos) da rádio e as regras básicas de convivência no ambiente escolar, dentre elas: ser membro ativo da rádio e responsável pelo ambiente de aprendizagem, colaborar com a aprendizagem dos outros colegas, além de ser parceiro do corpo docente.

A avaliação do projeto sempre se deu de maneira qualitativa, utilizando-se do diálogo entre os membros participantes, professores e comunidade. Durante o processo levou-se em consideração a autoavaliação dos alunos e a avaliação dos professores da escola.

Os alunos se envolveram no projeto, passando a produzir diversos programas de rádio durante os intervalos dos turnos. Notou-se através de observações diárias o envolvimento, a socialização dos alunos e a mudança de comportamento em relação aos demais colegas. Melhorou a autoestima, o envolvimento nas aulas, a participação dos alunos.

No ano seguinte, devido à inserção do Projeto Saúde nas Escolas e o Projeto Sociedade em ação, ambos interdisciplinares, os alunos produziram spots sobre crimes ambientais, denúncias sobre racismo, participaram de campanhas de combate ao abuso de crianças e adolescentes do CREAS, que foram veiculados em rádios comerciais da cidade, entrevistaram pessoas da comunidade escolar e elaboraram reportagens sobre ações solidárias e cooperativas na escola, tudo coletivamente.

Ao final do segundo ano de existência, analisando este meio de comunicação no ambiente escolar, notou-se que os alunos passaram a refletir sobre suas atitudes e o impacto que causam no outro, a agir com empatia, a participar de decisões com responsabilidade e a valorizar o trabalho coletivo de forma protagonista. Além disso, desenvolveram habilidades de leitura e escrita, de interpretação e construção de argumentos para defender ideias de forma crítica e respeitosa.

Adaptado de https://www.researchgate.net/publication/281634130_O_PROTAGONISMO_JUVENIL_NA_PRODUCAO_DE_RADIOESCOLA_-UM_RELATO_DE_EXPERIENCIA

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