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Composição na sala de aula

Uma das competências que os alunos têm de desenvolver é compor. Para isso, é preciso trabalhar vários aspectos, como apreciação e reflexão

15/02/2011 16:04
Texto Ana Rita Martins

Na EMEF São João Batista, os alunos aprenderam todas as etapas da composição

Até 1824, a palavra sinfonia indicava uma peça musical executada com um conjunto de instrumentos. Essa definição restrita poderia ter perdurado anos se não fosse Ludwig van Beethoven (1770-1827), o compositor alemão que estarreceu o público com a Sinfonia Nº 9 em Ré Menor. A ela, ele incorporou um coral de vozes, algo inédito nesse tipo de peça clássica.

Ao inserir o elemento, questionou o conceito de sinfonia e revelou que sua forma de compor estava intrinsecamente ligada à reflexão das fronteiras estabelecidas até então para a música. Em outras palavras, Beethoven ampliou o conceito musical que a humanidade tinha, deixando claro que é possível pensar criativamente sem seguir padrões.

Explorar essa ideia com as turmas de 5ª e 6ª séries da EMEF São João Batista, em São Leopoldo, a 40 quilômetros de Porto Alegre, foi o principal objetivo do projeto de Áudrea da Costa Martins.

Ela desafiou a garotada a criar suas próprias composições, considerando que a produção em sala, tal como fazer pinturas, é a etapa que, juntamente com a apreciação e a reflexão, faz parte do tripé de ensino da área de Arte. Áudrea fez por merecer o título de Educadora Nota 10 do Prêmio Victor Civita de 2009 porque impulsionou os estudantes a questionar o que é música, refletir sobre sua linguagem e experimentar possibilidades ao agir como compositores. "A maioria dos professores se atém às atividades de apreciação e reprodução", diz Paulo Nin Ferreira, coordenador da área de Arte do Colégio I. L. Peretz, na capital paulista, e selecionador do Prêmio.

Dica: A apreciação musical pode ser usada em sala não só para enriquecer o repertório da garotada. Atividades dessa natureza também são úteis para revelar que existem maneiras diversas de organizar os sons e usar os instrumentos e que um compositor pode manipulá-los de acordo com a sua intencionalidade.

Nessa perspectiva, a seleção musical tem de contemplar diversas categorias (como música eletrônica, erudita, concreta e aleatória) e estilos musicais (como pop, rock, jazz, funk, soul e blues) e priorizar o que os alunos não estão acostumados a ouvir. É uma maneira inteligente de apresentar novos parâmetros para que eles façam releituras e selecionem ou modifiquem suas ideias musicais para também podê-las usar em suas composições. Áudrea investiu em músicas classificadas como aleatórias, da categoria erudita contemporânea, para mostrar ao grupo que, nesse caso, nem todos os elementos são controlados pelo próprio compositor.

Fonte: http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/aula-de-musica-618724. shtml  07/08/2012

 

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