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A música na aprendizagem

 

Hoje em dia é quase impossível algum jovem não gostar de algum tipo de música. Por mais que a pessoa não perceba nada sobre a teoria da música ou não saiba tocar nenhum instrumento, tem sempre aquela letra ou melodia na cabeça que o faz cantarolar por aí.

A música existe como produção cultural desde que o ser humano começou a se organizar em tribos primitivas pela África, pois ela era parte integrante do cotidiano dessas pessoas. Acredita-se que a música tenha mais de 50.000 anos e as primeiras manifestações tenham acontecido no continente africano, expandindo-se pelo mundo.

Ao ser produzida e/ou reproduzida, a música é influenciada diretamente pela organização sociocultural e econômica local, contando ainda com as características climáticas e o acesso tecnológico que envolvem toda a relação com a linguagem musical. A música possui a capacidade estética de traduzir os sentimentos, atitudes e valores culturais de um povo ou nação. A música é uma linguagem local e global.

Na pré-história o ser humano já produzia uma forma de música que lhe era essencial, pois sua produção cultural constituída de utensílios para serem utilizados no dia-a-dia, não lhe bastava, era na arte que o ser humano encontrava campo fértil para projetar seus desejos, medos, e outras sensações que fugiam a razão. Diferentes fontes arqueológicas, em pinturas, gravuras e esculturas, apresentam imagens de músicos, instrumentos e dançarinos em ação, no entanto não é conhecida a forma como esses instrumentos musicais eram produzidos.

Das grandes civilizações do mundo antigo, foram encontrados vestígios da existência de instrumentos musicais em diferentes formas de documentos. A cultura egípcia, por volta de 4.000 anos a.C., alcançou um nível elevado de expressão musical, pois era um território que preservava a agricultura e este costume levava às cerimônias religiosas, onde as pessoas batiam espécies de discos e paus uns contra os outros, utilizavam harpas, percussão, diferentes formas de flautas e também cantavam. Os sacerdotes treinavam os coros para os rituais sagrados nos grandes templos. Era costume militar a utilização de trompetes e tambores nas solenidades oficiais (http://www.infoescola. com/musica/historia-da-musica/)

Durante a idade média, a música teve um lugar destacado dentro das escolas, principalmente quando se falava em música sacra e poesia. Através dos tempos, tem sido inegável o papel da música como um dos fatores na formação humana.

"Houve e há, apesar das desordens que a civilização traz, pequenos povos encantadores que aprendem música tão naturalmente como se aprende a respirar. O seu conservatório é o ritmo eterno do mar, o vento nas folhas e mil pequenos ruídos que escutaram com atenção, sem jamais terem lido despóticos tratados".
Claude Débussy (18621918), compositor francês

Musicalização

A musicalização é um processo de construção do conhecimento musical, que tem como objetivo despertar e desenvolver o gosto musical, estimulando e contribuindo para a formação física e emocional do indivíduo. A música sempre deve estar interligada a outros tipos de arte, a exemplo da pintura, escultura, teatro e dança. A educação musical deve ser inter e multidisciplinar, assim como as técnicas pedagógicas, adaptadas a cada realidade, de modo a dialogar com os interesses dos alunos.

Autores como Howard Gardner relatam em suas obras a importância da música na sala de aula, não só no aspecto lúdico, mas também no aprendizado e na sua leitura crítica. Gardner (1994) diz que a área cerebral responsável pela música está muito próxima da área de raciocínio lógico-matemático, pois as conexões nervosas acionadas ao se executar uma obra clássica são muito próximas daquelas usadas ao se fazer uma operação aritmética ou lógica. A música é uma das ferramentas mais potentes para estimular os circuitos do cérebro. Além disso, contribui para o desenvolvimento da linguagem e da comunicação. (Estruturas da mente: a Teoria das Múltiplas Inteligências. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994).

O uso apropriado da música como ferramenta didático-pedagógica oferece aos alunos a oportunidade de integração das quatro habilidades da língua: ouvir, falar, ler e escrever, bem como permite a revisão de vocabulário e estruturas gramaticais, pois retratam a língua no seu contexto real. Além disso, a letra das músicas permite aos alunos a discussão dos aspectos linguísticos e culturais da língua escrita.

Por seu poder criador e libertador, a música tornou-se um recurso educativo a ser utilizado na escola em todas as etapas da escolaridade, tanto que a partir deste ano de 2012 ela se tornou obrigatória nas escolas. Incluir a música no contexto escolar atende expectativas e necessidades de alunos e professores, aos primeiros porque valoriza seu universo de interesses que se expressa constantemente por meio da linguagem musical. Aos professores, porque proporciona que se reconheçam como sujeitos mediadores de cultura dentro do processo educativo e considerem a importância do aprendizado das artes no desenvolvimento e formação dos alunos como indivíduos produtores e reprodutores de cultura. Desse modo, poderão procurar e reconhecer todos os meios que têm em mãos para criar, à sua maneira, situações de aprendizagem que deem condições para o desenvolvimento global dos estudantes.

 

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