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Música na escola

 

Um pouco da história…

Villa-Lobos (1887-1959) foi um dos grandes personagens da criação da música no ensino básico do país. Em 1927, logo que veio de Paris, apresentou em São Paulo um plano de educação musical. O ensino era baseado em jogos musicais e corporais e no uso de instrumentos de percussão.

Em 1931, o maestro organizou um coral com 12 mil vozes. Após dois anos assumiu a direção da Superintendência de Educação Musical e Artística, quando a maioria de suas composições se voltou para a educação musical. Um ano depois o presidente Getúlio Vargas tornou obrigatório o ensino de canto nas escolas e criou o curso de pedagogia de música e canto.

Em 1960, projeto de Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro para a Universidade de Brasília (UnB) deu novo impulso ao ensino da música, com a valorização da experimentação.

A música na escola hoje...

2012 é o prazo limite para que todas as escolas públicas e privadas do Brasil incluam o ensino de música em suas grades curriculares. A exigência surgiu com a lei nº 11.769, sancionada em 18 de agosto de 2008, que determina que a música deve ser conteúdo obrigatório em toda a Educação Básica. "O objetivo não é formar músicos, mas desenvolver a criatividade, a sensibilidade e a integração dos alunos", diz a professora Clélia Craveiro, conselheira da Câmara de Educação Básica do CNE (Conselho Nacional de Educação).

Isso não significa que seja, necessariamente, uma disciplina exclusiva. Ela pode integrar o ensino de arte, por exemplo, como explica Clélia Craveiro: "Antigamente, música era uma disciplina. Hoje não. Ela é apenas uma das linguagens da disciplina chamada artes, que pode englobar ainda artes plásticas e cênicas. A ideia é trabalhar com uma equipe multidisciplinar e, nela, ter entre os profissionais o professor de música. Cada escola tem autonomia para decidir como incluir esse conteúdo de acordo com seu projeto político-pedagógico".

Por que é importante ter música na escola?

"A música contribui para a formação integral do indivíduo, reverencia os valores culturais, difunde o senso estético, promove a sociabilidade e a expressividade, introduz o sentido de parceria e cooperação, e auxilia o desenvolvimento motor, pois trabalha com a sincronia de movimentos", explica Sonia Regina Albano de Lima, diretora regional da Associação Brasileira de Ensino Musical (ABEM). O trabalho com música desenvolve as habilidades físico-cinestésica, espacial, lógico-matemática, verbal e musical. "Ao entrar em contato com a música, zonas importantes do corpo físico e psíquico são acionadas - os sentidos, as emoções e a própria mente. Por meio da música, a criança expressa emoções que não consegue expressar com palavras", completa Sonia Regina. "A música fez bem para a autoestima do estudante, já que alimenta a criação".

Como trabalhar a música na escola?

O MEC recomenda que, além das noções básicas de música, dos cantos cívicos nacionais e dos sons de instrumentos de orquestra, os alunos aprendam canto, ritmos, danças e sons de instrumentos regionais e folclóricos para, assim, conhecerem a diversidade cultural do Brasil.

Jogos e brincadeiras de roda, assim como a confecção de instrumentos musicais são maneiras de proporcionar aos alunos que tenham contato com a música de forma lúdica e coletiva, conforme Sonia Albano, diretora regional da Associação Brasileira de Ensino Musical (ABEM). Desse modo, as crianças vivenciam a música por meio de trabalhos corporais, o que contribui para o desenvolvimento psicomotor, sócio-afetivo, cognitivo e linguístico, características facilitadoras da aprendizagem. Por meio da música, os alunos também desenvolvem a criatividade, a sensibilidade, interagem uns com os outros e têm a oportunidade de conhecer elementos da sua cultura.

Escolas que já desenvolvem projetos de educação musical afirmam que não é seu objetivo formar músicos, mas desenvolver o espírito crítico, oportunizar o contato com as raízes da música brasileira, despertar o gosto musical, dentre outros benefícios relacionados à educação da sensibilidade.

Para que o ensino proposto na Lei tenha bons resultados, o indicado é que as escolas intensifiquem trabalhos já produzidos em sala de aula e que considerem o contexto cultural dos alunos para que ele seja ampliado.

Adaptado de: http://educarparacrescer.abril.com.br/politica-publica/musica-escolas-432857.shtml

 

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