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Aprendizagem…aprendizagem….

 

Toda aprendizagem parte de outros saberes já consolidados que auxiliam na sistematização do novo, por isso é sempre bom lembrar que eles ocupam o lugar do ar do copo.

Aprender significa desenvolver a capacidade de pensar, de analisar e generalizar os fenômenos da realidade, compreendendo-os como produto das relações humanas e em processo de transformação. Nesse sentido, a aprendizagem está relacionada com o desenvolvimento de competências que habilitam o aprendiz a viver em sociedade de forma crítica, como sujeito que, ao compreender a realidade, atua sobre ela.

Aprender envolve transformação, já que a apropriação de novos significados permite o aprofundamento das relações entre os saberes já consolidados e os que estão em processo de aquisição, o que eleva os aprendizes à condição de realizarem novas ações, diferentes e mais complexas.

Em outras palavras, a aprendizagem está relacionada com a qualidade da ação que ela possibilita, e não acontece pela simples exposição às informações, mas pela interação com novos conceitos, fatos e procedimentos. Diz-se que há aprendizagem quando se transformam as condições iniciais do aprendiz, quando ele é capaz de aplicar o aprendido em situações da sua vida de forma cada vez mais elaborada e refletida, de escolher, de posicionar-se.

Ao relacionarmos aprendizagem e pensamento, cabe perguntar o que significa pensar. Para Chauí (1997) é “A decisão de não aceitar como óbvias e evidentes as coisas, as ideias, os fatos, as situações, os valores, os comportamentos (...); jamais aceitá-los sem antes havê-los investigado e compreendido”. (CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Editora Ática, 1997. p. 12. 9 ed.)

Desse modo, aprender constitui-se em pensar sobre a realidade próxima e distante por meio de competências construídas ao longo da vida e, no caso das aprendizagens promovidas pela educação escolar, mediadas por conteúdos discutidos, refletidos e aplicados. Novas aprendizagens ampliam a capacidade de questionar e relacionar os conhecimentos anteriores com novas situações.

Segundo Vigotsky (1982), toda aprendizagem é social e ocorre pela interação com outras pessoas, com o meio social e cultural e a natureza, por isso não se realiza de forma individual. Daí decorre a ideia de que existe aprendizagem desde o nascimento, quando a criança passa a interagir com o seu meio e a forma como as questões imediatas são resolvidas. (VIGOTSKY, Lev S. Obras escogidas II. Madrid: Visor, 1982.)

Trata-se, desse modo, de um processo que se desenvolve em etapas progressivamente mais complexas, que têm como ponto de partida a realidade próxima, vivida e experimentada, e se efetiva quando o sujeito interage, compreende, significa e internaliza o significado de um objeto, fato, fenômeno, teoria etc.

Oliveira (1993) aponta três implicações dos postulados de Vigotsky para o ensino escolar:

1ª Incluir no pensamento escolar a ideia de transformação, de um olhar prospectivo que possibilite planejar atividades que estejam além do que já sabem (e é possível no presente), ou seja, favorecer situações em que os alunos atuem para além do seu desenvolvimento atual.

2ª Fazer com que a escola tome para si a tarefa de ensinar considerando cada aluno como sujeito, garantindo espaços para aprendizagens significativas e que tenham papel essencial no desenvolvimento psicológico de cada um. Ou melhor, que os conteúdos sejam entendidos como material simbólico que tem sentido à medida que é utilizado para a formação de competências essenciais para a sua compreensão contextualizada e associada com situações que interferem na sua vida e das coletividades.

3ª Garantir situações de cooperação entre os membros do grupo, isto é, que estimule a produção coletiva dentro e fora da sala de aula, cuja relevância está relacionada com os processos interativos.

Em síntese, levar em conta o caráter social da aprendizagem significa possibilitar atividades partilhadas, onde a experiência de um transforma-se no conhecimento de todos, onde o grupo confronta suas hipóteses e o intercâmbio entre diferentes pontos de vista incentiva a criticidade e a criatividade, pois em grupo se privilegia a troca e a interação social na busca do progresso intelectual.

 

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